Linha do tempo...

Em 1951, surgi ao mundo. Aos 10 anos fui menina descalça e conquistei todas as calçadas da cidade pequenina onde nasci. Aos 15 sonhei com o amor e fui princesa. Aos 20 me descobri beleza, deixei de ser menina e sofri. Aos 30 realizei meu sonho, fui mãe e me fiz eterna. Aos 40 desconstruí o eterno e - mulher - desafiei cada momento, um após o outro, incansavelmente. Aos 50, resgatei meu eu-lírico, tornei-me senhora da minha vontade, da minha beleza e dos meus sonhos. Aos 60 anos... não sei... quando chegar lá, talvez me transmute em deusa... ou perfume...
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Sílvia Mota.
Cabo Frio, 18 de junho de 2009 - 20:16hs.

eu, por mim, num só compasso

Uma hora e quarenta e seis minutos do dia dois de dezembro de mil novecentos e cinquenta e um. Madrugada, desde o nascimento, aprendi a ser flor livre, com a primavera que me trouxe ao mundo. Aliás, papai me sonhou flor, antes de nascer e, à imaginação de mamãe, minha chegada ao mundo foi coroada por uma revoada de pombos fugindo pela janela. Amei e fui amada. Eu-poeta sonhei e eu-mulher pari três vezes e três vezes fui mãe. Eu-mãe. Quando mãe, não sou mais nada, a não ser mãe. Basto-me. Através das telas, pincéis e tintas, criei meu mundo, por mim mesma. Agora, num outono-flor - porque outono é saber e flor é sonho e esperança - reencontro a paz somente vivida na infância. Reescrevo, passo-a-passo, a vida em poemas. Ensino o que sei. Aprendo o que não sei, todos os dias. Procuro entender a Justiça e a transmutá-la num direito meu. Perco e ganho. Morro e renasço, por diversas vezes. Fênix do amor! Do amor, para o amor! Sempre.
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Sílvia Mota.
Cabo Frio, 11 de maio de 2009 – 14:53hs.

aos 57 anos, quem sou eu?

eu, a primavera e o amor!

nada poderia ser diferente!
nasci na primavera:
sou flor! sou amor!

conclusivo!
sob junções e incisões,
só a primavera me traz tanto amor!
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Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 2008 - 19:40hs.

aos 56 anos, quem sou eu?

Sou Causa e Efeito.
Alcançados meus 56 anos permito que flores vermelhas encantem e perfumem a minha vida. Releio meus poemas de amor e, sob um novo olhar, descubro que - à exceção daqueles que Dedico aos meus filhos e à minha família - não se destinam a nenhum amor, em especial. O tempo passou, os poucos e tão profundos amores passaram, mas, os poemas nascidos das emoções vividas persistem, sempre atuais e verdadeiros, como se cada amor do passado hoje revivesse, ou se cada amor do presente refletisse aquele que passou. É como se eu estivesse apaixonada pela mesma pessoa, sempre... talvez, aquela concebida pelo meu pensamento... e que por ser tão perfeita, imiscui-se ao fausto do Universo... Subjaz implícita nos meus versos, unicamente, uma forma especial de amar o próprio Amor. E, neste contexto, conquanto seja impetuosa a necessidade de registrar os momentos excepcionalmente genuínos - portanto, inesquecíveis - que lhes deram nascimento, assumem jaez universal e intemporal.
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Sílvia Mota.
Cabo Frio, primavera, 2007.

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