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sexta-feira, 19 de março de 2010

Aos 58 anos, quem sou eu? - Olhar poético sobre passado, presente e futuro...






Experiências humanas são aprendizados diretamente retirados da vida. Somente aos que vivem com intensidade permite-se poetizar a Vida com suas alegrias e tristezas. No concernente às últimas, algumas pessoas optam pelo ato da ruminação constante e, nesse bate e volta, contam e recontam as lágrimas aos divãs eternos dos psicanalistas, na ânsia de obter respostas para o que se encontra no seu próprio interior. A relevância de um profissional na vida de quem se encontra fragilizado é imprescindível, mas não como forma de entrega ao fatalismo.

Opto por amadurecer as emoções. E o faço dia-a-dia. Sem pressa. Corri a vida inteira e atropelei-me, tantas vezes! Agora, silencio meu silêncio. Posso ouví-lo, enfim! E, nessa paz, balbucio as letras de Freud: “Seja qual for o caminho que eu escolher, um poeta já passou por ele antes de mim.” Assim sendo, se alegre, escrevo meus poemas; se triste, escrevo meus poemas. Em todas as circunstâncias escrevo meus poemas! Transformo l - i - t - e - r - a - l - m - e - n - t - e tudo em poesia!

Ao condão dos 58 anos olho o passado, o presente e, a imaginar meu futuro exponho, após magníficos tombos e vitórias, algumas linhas.

O Tempo Passado é referencial do que desejo ou não que se repita na minha vida. Permito-me chorar às recordações, algumas doces; outras, por demais amargas. Mas, aos seus efeitos jamais sucumbo! Se os ultrapassei é porque fui mais forte! Por que fenecer agora, às lembranças? Ao contrário, por elas existirei! Sem o passado não estaria a consagrar o presente. Seria pedra bruta ou cristal - pouco importa. Enraizada, num caminho sem história. Fadada à morte prematura, por surgir solitária e sem conteúdo. Inconsistente. Frágil. Sem contexto. Apartada da categoria de “gente” – ser humano humanista – e sem os enredos que oferecem sentido à minha história de vida. Rancores do passado, elimino, se é que abrolham! Apropriando-me da pureza poética que me inspira a diversidade de pedras brasileiras, resmungo baixinho: quantas pedras sabão encontradas pela vida! Por outro lado, pergunto-me:

Qual a diferença entre as pedras?
Brilhante ou sabão – quanto importam?
A pedra preciosa deleita corações;
mas, pode ser arma fatal pelo corte que possui.
A pedra sabão, se encanto não ostenta,
nas mãos de Aleijadinho conquistou a eternidade!
Importante mesmo é poetizá-las.
Quão relevante o domínio
das pedras brilhantes e das pedras sabão,
nas vias do meu passado!
Ao pensá-lo sinto meu poder.
Alcancei o presente!

O Tempo Presente... Ah! Este é o agora; a depender de mim, sempre juvenil, porque é o momento no qual respiro minhas emoções todas, compreendendo-as nos mais minuciosos detalhes. Não existe presente sem passado, mas, pela capacidade de recriá-lo, mantenho-os independentes. Sem lugares à fatalidade! E essa coisa de “sofro no presente, pelos males do passado”, não inaugura suas indecências na minha forma de viver a vida. Rigorosa comigo mesma sofro - somente - enquanto não desafio as circunstâncias. Não me permito entregar derrotas e vitórias ao império do destino! Vitoriosa serei enquanto lutar para estabelecer meus objetivos de vida. Ao contrário, derrotada, se desistir. Não estanco frente às perdas aparentes, nem me preocupo mais com sorrisos invejosos e ações perniciosas, que se respaldam na insegurança idiota dos seres humanos consigo mesmos. Perdas atuais transformo-as em ganhos. No momento da lesão, permito a iluminação dos meus desejos. E – FÉ – desafio as mudanças! Batalhas são batalhas, sempre existirão. Não vencerei todas, pois alegrias e tristezas, desgraças e venturas, sorrisos e lágrimas são fatos da vida. O que diferencia os seres humanos uns dos outros é a forma como ultrapassam as adversidades. Por tal motivo sou rigor comigo mesma. Fiel aos meus anseios procuro em cada ação o primor da Ética, do Direito e da Justiça. Contudo, SEI-ME HUMANA E PASSÍVEL DE FALHAS. Nesses momentos não recorro a ninguém, julgo-me - eu própria – e cultivo a RESPONSABILIDADE ao ASSUMIR AS CONSEQUÊNCIAS dos meus atos. Consumida pelas dores tenho a certeza de vencê-las. Se desejar. Não fosse assim, como justificar momentos cruéis ultrapassados frente à Morte? Se à Grande Dama Negra sobrevivi, sabendo-a certa, o quê, impossível? A partir desses apotegmas, teço meu próprio conceito de Felicidade: “É a certeza que tenho, nas profundezas da minha Vida de que, se desejar, planejar e agir, através da FÉ, alcançarei meus desígnios, que não se concretizarão necessariamente da forma como prevejo em determinada fase da vida. Isso, porque a emoção denigre, quando não se faz acompanhar da sabedoria.”

Cultivo a vergonha no rosto e no coração!
Cruel – por demais - com os próprios erros.
Reconheço.
Falha?
Não sei, mas sou assim.
Urdo uma necessidade insana
de estraçalhar-me, por inteiro,
frente à constatação dos meus disparates,
para reconstruir-me, pouco a pouco.
Eu mesma!
Fênix.
Necessito da verdade,
como a flor do perfume,
a fonte da água,
as estrelas de um céu.
E aos enlevos desta paixão
não existem meios termos,
pois não me permito
empacar pelos caminhos.
Se evidentes os retrocessos
- aos olhos desleais – derrotas!
- aos olhos atentos – sabedoria!
Sirvo-me dos leões,
que recuam a pata traseira
para ampliar a força do salto,
normalmente certeiro e fatal!
Passo a passo, caminho ao futuro!

O Tempo Futuro – sedutor - pois desconhecido. Encanto-me aos seus mistérios. Desafio-o conscientemente a cada último dia do ano! E a cada ano imprimo mais rigor!

Meu futuro provoca-me o tempo todo,
como um amante apaixonado!
E apaixonada que sou
retribuo-lhe os pecados todos,
em forma de Esperança!
Na cadência do que serei
permito-me ser flor, ou,
simplesmente perfume
a evaporar no ar...
Não aceito a morte dos sonhos!
Sem tal virtude, onde a Poeta?
Sem a poeta, onde “Eu”?
Sem “Eu”, onde o Futuro?
Sem o Futuro, onde a Vida?
Sem a Vida... onde a Morte?
E não havendo Sonhos,
como receber a Morte, sem temê-la?

Reafirmo que sou Causa e Efeito. Por conseguinte, vigio o presente e preparo meu futuro, que só a mim pertence! Sem arrogância.



Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Cabo Frio, 9 de janeiro de 2010 – 16hs

9 comentários:

  1. Silvia, eu já era fã das tuas escritas, já eras tua fã, mesmo porque percebo que temos muito em comum (e sou minha fã também...rs). Mas depois de ter lido o que escreveu aqui? Que mais dizer? ... Sinceramente não encontro palavras para qualificar o que acabei de ler. Sensacional? Maravilhoso? "Terrific"? Extraordinãrio?... Não sei, nada é suficiente bom para descrever o que escreveste aqui. Você foi/é de-mais!!! Parabéns! Um abração!

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  2. Um texto cuidado, onde se percebe que a autora atingiu sua maturidade espiritual, sabe o que quer e não se ilude com a sua bela figura, externa e interna.
    Sílvia resumiu tudo isto na advertência que faz logo no início do blog: "Não confunda mulher bonita e livre com mulher disponível; mulher sensual com mulher leviana e, muito menos, que meus olhos verdes querem dizer sinal aberto."
    Como se não bastasse adora escrever um alexandrino...
    Beijos, Bela Sílvia.

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  3. Gabrielle Paulanti3 de junho de 2010 19:42

    Olá!
    Silvia, achei vc aki na internet na busca de um poeta de Cabo Frio e região. Sou professora do Instituto Politecnico da UFRJ, que funciona no IFRJ de Arraial do Cabo.
    Estamos desenvolvendo um projeto de um documentário, que se pretende ser exibido na inauguração do museu do mar na UFRJ e até internacionalmente, produzido pelos alunos .
    Gostaria mt de entrar em contato com vc para, se houver a possibilidade, que vc possa falar aos alunos sobre a sua obra e suas vivencias com a literatura.
    Meu e-mail é gabrielle.paulanti@gmal.com
    Desde já, agradeço.
    Gabrielle Paulanti

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  4. Agora agradecendo à querida amiga Sílvia a honra de seguir meu blog.

    Beijos,
    Jorge

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  5. Nada fácil descrever Sílvia Mota.
    Mulher decidida e determinada que não conhece limites por uma causa justa ou desejo próprio que traga alento dela e de todos.
    Sempre construindo, não admite a idéia de ficar um pouco quieta!
    Tenho orgulho de ser amigo, ainda que por enquanto virtual, desta fabulosa mulher. Linda, é bom que se diga...

    Carinho,
    Jorge

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  6. Muito obrigada pela sua visita ao meu blog e pelos comentários. Já criei uma página no site que me indicou, com todo o gosto. Agradeço a recomendação!
    E muito obrigada pelo comentário =) *

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  7. Estimada Poetisa Silvia, é com muita alegria que venho conhecer seu espaço literários, e encantada fiquei com tudo, meus PARABÉNS, e muito SUCESSO, eu lhe desejo sempre,
    Efigenia Coutinho

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  8. MINHA ETERNA PROFESSORA SILVIA MOTA, VOCÊ QUE FOI MINHA PRIMEIRA INSPIRAÇÃO NA FACULDADE ME RECORDO DA PRIMEIRA AULA E DOS SEUS ENSINAMENTOS VOCÊ FINCOU DENTRO DE MIM TODA ADMIRAÇÃO, AMOR E RESPEITO QUE TENHO POR TI, ME ESPERO MESMO DE TÃO LONGE EM VOCÊ UM GRANDE BEIJOS DE SUA SEMPRE ETERNA ALUNA JANETE BATISTA.

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Mas, afinal, o que é a vida humana?

Mas, afinal, o que é a vida humana?
"Como explicar a vida humana, nesse equilíbrio universal intenso, animal e vegetal, que se processa a cada momento, veemente, num movimento dúbio que a um só tempo é uno e, por incrível, tão independente? Como elucidar o irresistível e enigmático segredo que extravasa de uma única célula feminina na conquista de milhões de espermatozóides, ou ainda depreender o resfolegar estranho que permanece adormecido por milênios e desperta ao toque do cientista em busca de aventura? Sem querer nem poder atingir a impérvia essência da criação, ou desvendar as verdades biológica, sociológica e psicológica do indivíduo, entende-se a vida humana como o agrupado de todos esses mistérios revelados através da energia mantida pela ação dos elementos naturais e alterados, iminentemente, pela intercessão da cultura. A vida humana se ampara na cumplicidade entre indivíduo e natureza, que os torna inseparáveis e necessários um ao outro. Vertente dos outros bens jurídicos é, pela sua essência - independente de qualquer avanço biotecnológico - única e irreplicável. Por isso, exige o respeito absoluto de não ser tratada como simples meio, mas como fim" [Sílvia Mota. Da bioética ao biodireito: a tutela da vida no âmbito do direito civil. Trecho da Dissertação de Mestrado, 1999].

Felicidade absoluta... é coisa que não tem...

Felicidade absoluta... é coisa que não tem...
"Da necessidade inerente ao espírito humano de encontrar um desígnio para sua existência, nasce a ilusão da felicidade absoluta; aquela ilusão que, de tanto perseguida massacra, sem indulgência, a viril realidade, criando neste 'locus vitae humanae' um mundo de sonhos arriscados, mas irresistíveis, ao que a ninguém é suscetível ignorar" [Sílvia Mota, 7 de maio de 2008].

Belas artes belas

Belas artes belas
"Existe diferença entre as artes úteis e as belas artes. As primeiras visam determinado fim, sem excluir, entretanto, a beleza; as segundas, generosas, almejam simplesmente a criação do belo. Ao falar da minha produção artística, seja através da pena ou do pincel, refiro-me sempre às belas artes belas" [Sílvia Mota, 2002].

Amor... sempre amor!..

Amor... sempre amor!..
"Malho a mente todos os dias, por ininterruptas horas, enviando comandos exaustivos para o coração, ordenando-lhe que jamais desista de amar" [Sílvia Mota].

Criatura e criadora

Criatura e criadora
Quando ouvi meu silêncio deixei-me seduzir, pari minha felicidade e encontrei a paz (Sílvia Mota, 19 de novembro de 2008 - 13h15)

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